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A Propos de Nice

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Jean de Vigo

A propos de Nice is a 1930 silent short documentary film directed by Jean Vigo and photographed by Boris Kaufman. The film depicts life in Nice, France by documenting the people in the city, their daily routines, a carnival and social inequalities. Vigo described the film in an address to the Groupement des Spectateurs d'Avant-Garde: "In this film, by showing certain basic aspects of a city, a way of life is put on trial... the last gasps of a society so lost in its escapism that it sickens you and makes you sympathetic to a revolutionary solution.


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O cinema de Alexandre Stockler

Vidas no Lixo

Gênero: Documentário

Diretor: Alexandre Stockler

Elenco: Crisleide Carvalho de Mello, Graziele Carvalho de Paula, Leandro da Silva Messias

Ano:
2008

Duração: 15 min

Cor: Colorido

Bitola: DVCam

País: Brasil

O filme mostra crianças e adolescentes que vivem do lixo. Enquanto reviram sacos de lixo pelas ruas e recolhem materiais úteis para vender a empresas de reciclagem, crianças - que se alimentam deste mesmo lixo - falam sobre suas vidas, suas famílias, seus sonhos e desejos de estudar, mas logo sua avassaladora realidade se impõe com a gravidez inesperada de uma menina de 14 anos.

Ficha Técnica:

Produção: A Exceção e a Regra Produções Artísticas

Roteiro: Alexandre Stockler

Edição: Alexandre Stockler

Som: Alexandre Stockler, Alberto Bandoni Neto

Edição de som: Fernando Henna

Câmera: Alexandre Stockler, Christiano Stockler

Direção de produção: Gisele Jordão

Assistente de Direção: Christiano Stockler

Produção Executiva: Alexandre Stockler, Christiano Stockler

Finalização: Túlio Galvão

Realização: A Exceção e a Regra Produções Artísticas

Produção de Finalização: Giovana Saad

Produtor Associado: TGV Produções

Arte: Ana Terra Capobianco, Sato

Créditos: Luciano Godói Curadoria Carla Esmeralda

Assistência de Curadoria: Alice Gomes

Festivais:

Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul 2008
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2008



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O cinema de Carolina Markowicz e Joana Galvão

Published by simulacru under on 17:49
69 - Praça da Luz

Gênero: Documentário

Diretor: Carolina Markowicz, Joana Galvão

Ano: 2007

Duração: 20 min

Cor: Colorido

Bitola: Vídeo

País: Brasil

Prostitutas de idade avançada ganham a vida na Praça da Luz, em São Paulo. Relatos inusitados e surpreendentes de cinco mulheres que revelam em detalhes suas experiências em todos esses anos de profissão.

Ficha Técnica
Produção Carolina Markowicz, Joana Galvão Fotografia Bruno Zanardo Roteiro Carolina Markowicz, Joana Galvão Montagem Carolina Markowicz, Joana Galvão, David Casan Música Chiquinha Gonzaga

Prêmios:
Melhor Documentário no Festival do Rio 2008
Melhor Curta - Júri Popular no Festival Mix Brasil 2007
Melhor Documentário no Festival Mix Brasil 2007
Melhor Curta - Júri Popular no Lisbon Gay and Lesbian Film Festival 2008
Melhor Documentário no Vale Curtas 2008
Melhor Filme Nacional no Vale Curtas 2008

Festivais:
Curta Santos 2008
Festival de Havana 2008
Israel Gay and Lesbian Festival 2008
Zinegoak- Festival gay de Bilbao 2009
Athens Gay and Lesbian Festival 2008
Lady Fest 2007
Mostra Diversidade na Mídia 2008



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O cinema de Glauber Rocha

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Amazonas, Amazonas

FICHA TÉCNICA

Não-Ficção, curta-metragem, 35 mm, colorido, Manaus, Amazonas, 1966. 420 metros, 15 minutos

Produtora: Departamento de Turismo e Promoções do Estado do Amazonas;
Lançamento: 17 de março de 1966, Manaus, Cinema Avenida.
Produtor: Luiz Augusto Mendes;
Assistente de Produção: Edmilson Rosas;
Diretor: Glauber Rocha;
Assistente de Direção: Rubens de Azevedo;
Diretor de Fotografia: Fernando Duarte;
Som: Helio Barrozo Neto;
Música: Heitor Villa-Lobos.

SINOPSE

Filme encomendado, do gênero documentário clássico, sobre as belezas e riquezas naturais da região Amazônica. Podemos considerar tipicamente glauberianos: o arrebatamento lírico das tomadas, e a insistência bem característica sobre as preocupações nacionalistas e progressistas do diretor, com a presença muito concreta da imagem das pessoas no trabalho, nas seqüências urbanas, e do produto, da mercadoria.

Fonte: livro “Glauber Rocha” de Sylvie Pierre, (Papirus Editora, 1996.).

Comentário do Autor:

“Cheguei no Amazonas com uma idéia pré-concebida e descobri que não existia a Amazônia lendária e mágica, a Amazônia dos crocodilos, dos tigres, dos índios, etc...(“Revolução do Cinema Novo”, pg 79).

Obs: primeiro ensaio à cores de Glauber, rodado entre “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Terra em Transe”.

Fonte: http://www.tempoglauber.com.br


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O cinema de Vasco Acioli

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Anamnese da amnésia

Odisséia analítica das sinapses cognitivas de um psicopata compulsivo por informações, aprisionado num arquivo abandonado, repleto de ácaros.

Direção: Vasco Acioli

Biografia: Artista Visual com exposições e exibições diversas, entre outras no Espaço Oi Telemar, Espaço Durex, Galeria Sergio Porto, MNBA, Museu da República, etc. Arquiteto e urbanista.
Gênero: Experimental
Formato: Vídeo (MiniDV)
Ano de Produção: 2006
Origem: BRASIL, RIO DE JANEIRO - RJ
Coloração: Cor
Duração: 3 min
Produção Executiva: Vasco Acioli
Roteiro: Vasco Acioli
Fotografia: Vasco Acioli
Operador de Câmera: Vasco Acioli
Direção de Arte: Vasco Acioli
Edição de Som: Samir Abujamra
Música: Kraftwerk
Montagem: Samir Abujamra
Produtora: Vasco Acioli - Rio de Janeiro / RJ - Brasil


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O cinema de Rafael Conde

Published by simulacru under on 11:41
Françoise

Diretor: Rafael Conde

Gênero: Ficção

Elenco: Débora Falabella, Fernando Ernest, Rogério Falabella

Ano: 2001

Duração: 21 min

Cor: Colorido

Bitola: 35mm

País: Brasil

Uma garota chamada Françoise. Um viajante esperando a partida. O encontro entre dois solitários numa estação rodoviária.




Ficha Técnica:
Produção: Deile Vassalo
Fotografia: Gilberto Otero
Roteiro: Rafael Conde
Edição: Clarissa Campolina
Som Direto: Luiz Adelmo, Natália Rabczuk
Direção de Arte: Lila Lessa
Trilha original: Berenice Menegale

Prêmios:

Melhor Diretor no FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul 2002
Melhor Atriz no Festival de Brasília 2001
Menção Honrosa ABD&C - SP no Festival de Curtas de São Paulo 2001
Os 10 Mais - Escolha do Público no Festival de Curtas de São Paulo 2001
Prêmio ABD e C no Festival do Rio 2001
Prêmio Canal Brasil no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2001
Prêmio Espaço Unibanco no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2001

Festivais:

Festival de Biarritz 2002
Festival de Cinema Latino-americano de Toulouse 2003
Festival de Cinema Luso-brasileiro de Santa Maria da Feira 2002
Festival de Gramado 2001
Festival de Havana 2001
Festival de Huesca 2002
Festival de Vitória 2002
Festival do Rio BR 2001
Festival Internacional de Rotterdam 2002
Festival Primeiro Plano 2003
Mostra Curta Goiânia 2001
Mostra de Cinema de Tiradentes 2002
Mostra O Bonequinho Viu - Festival do Rio 2002
Festival de Curtas de Belo Horizonte 2002
Cinealternative Paris 2002
Panorama Internacional Coisa de Cinema 2002



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Olhos Pasmados

Published by simulacru under on 00:15
Jurandir Muller, Kiko Goifman




Roteiro: Jurandir Muller, Kiko Goifman, Cláudia Priscilla Andrade
Edição: Diego Gozze
Direção de produção: Cláudia Priscilla Andrade
Argumento: Jurandir Muller, Kiko Goifman, Eneida G. de Macedo Haddad, Luci Gatti Pietrocolla
Direção de Fotografia: Jurandir Muller

Eztetyca da Fome

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Glauber Rocha

Tese apresentada durante as discussões em torno do Cinema Novo, por ocasião da retrospectiva realizada na Resenha do Cinema Latino-Americano em Gênova, janeiro de 1965, sob o patrocínio da Columnum. O tema proposto pelo Secretário Aldo Vigano foi Cinema Novo e Cinema Mundial. Contingências especiais forçaram a modificação: o paternalismo europeu em relação ao Terceiro Mundo - já verificados nos contatos com a África - foi o principal motivo da mudança de tom. A tese a rigor teria interesse para a Mesa Redonda onde foi realizada. A publicação, hoje, comentada, atende a um pedido de Alex Viany e tem objetivos informativo e polêmico.

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Dispensando a introdução informativa que se tem transformado na característica geral das discussões sobre a América Latina, prefiro situar as relações entre nossa cultura e a cultura civilizada em termos menos reduzidos que aqueles que, também, caracterizam a análise do observador europeu. Assim, enquanto a América Latina lamenta suas misérias gerais, o interlocutor estrangeiro cultiva o sabor dessa miséria, não como um sintoma trágico, mas apenas como um dado formal em seu campo de interesse. Nem o latino comunica sua verdadeira miséria ao homem civilizado nem o homem civilizado compreende verdadeiramente a miséria do latino.

Eis- fundamentalmente - a situação das Artes no Brasil diante do mundo: até hoje, somente mentiras elaboradas da verdade (os exotismos formais que vulgarizaram os problemas sociais) conseguiram se comunicar em termos quantitativos, provocando uma série de equívocos que não terminam nos limites da arte mas contaminam sobretudo o terreno geral político. Para o observador europeu os processos de criação artística do mundo subdesenvolvido só interessam na medida que satisfazem sua nostalgia do primitivismo; e este primitivismo se apresenta híbrido, disfarçado sob as tardias heranças do mundo civilizado, heranças mal compreendidas, porque impostas pelos condicionamentos colonialistas. A América Latina, inegavelmente, permanece colônia, e o que diferencia o colonialismo de ontem do atual é apenas a forma aprimorada do colonizador: e, além dos colonizadores de fato, as formas sutis daqueles que também sobre nós armam futuros botes. O problema internacional da América Latina é ainda um pouco de mudança de colonizadores, sendo que uma libertação possível estará sempre em função de uma nova dependência.

Este condicionamento econômico e político nos levou ao raquitismo filosófico e à impotência, que, às vezes inconsciente, às vezes não, geram no primeiro caso a esterilidade e segundo, a histeria.

A esterilidade: aquelas obras encontradas fartamente em nossas artes, onde o autor se castra em exercícios formais que todavia, não atingem a plena possessão de sua formas. O sonho frustado da universalização: artistas que não despertam do ideal estético adolescente. Assim, vemos centenas de quadros nas galerias empoeirados e esquecidos; livros de contos e poemas; peças teatrais, filmes (que, sobretudo em São Paulo, provocaram inclusive falências)... O mundo oficial encarregado das artes gerou exposições carnavalescas em vários festivais e bienais, conferências fabricadas, fórmulas fáceis de sucesso, vários coquetéis em várias partes do mundo, além de alguns monstros oficiais da cultura, acadêmicos de Letras e Artes, júris de pintura e marchas culturais pelo país afora. Monstruosidades universitárias: as famosas revistas literárias, os concursos, os títulos.

A histeria: um capítulo mais complexo. A indignação social provoca discursos flamejantes. O primeiro sintoma é o anarquismo pornográfico que marca a poesia jovem até hoje (e a pintura). O segundo é uma redução política da arte que faz má política por excesso de sectarismo. O terceiro, e mais eficaz, é a procura de uma sistematização para a arte popular. Mas o engano de tudo isso é que nosso possível equilíbrio não resulta de um corpo orgânico, mas sim de um titânico e autodevastador esforço no sentido de superar a impotência; e, no resultado desta operação a fórceps, nós nos vemos frustados, apenas nos limites inferiores do colonizador; e se ele nos compreende, então, não é pela lucidez de nosso diálogo, mas pelo humanitarismo que nossa informação lhe inspira. Mais uma vez o paternalismo é o método de compreensão para uma linguagem de lágrimas ou de mudo sofrimento.)

A fome latina, por isto, não é somente um sistema alarmante: é o nervo da sua própria sociedade. Aí que reside a trágica originalidade do Cinema Novo diante do cinema mundial: nossa originalidade é nossa fome e nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida.

(De Aruanda a Vida Secas, o Cinema Novo narrou, descreveu, poetizou, discursou, analisou, excitou os temas da fome: personagens comendo terra, personagens matando para comer, personagens fugindo para comer, personagens sujas, feias, escuras; foi esta galeria de famintos que identificou o Cinema Novo com o miserabilismo hoje tão condenado pelo Governo do Estado da Guanabara, pela Comissão de Seleção de Festivais do Itamarati, pela Crítica a serviço dos interesses oficiais, pelos produtores e pelo público - este não suportando as imagens da própria miséria. Este miserabilismo do Cinema Novo opôe-se à tendência do digestivo, preconizada pelo crítico-mor da Guanabara, Carlos Lacerda: filmes de gente rica, em casas bonitas, andando em automóveis de luxo; filmes alegres, cômicos, rápidos, sem mensagens, e de objetivos puramente industriais. Estes são os filmes que se opõem à fome, como se, na estufa e nos apartamentos de luxo, os cineastas pudessem esconder a miséria moral de uma burguesia indefinida, e frágil, ou mesmo os próprios materiais técnicos e cenográficos pudessem esconder a fome que está enraizada na própria incivilização. Como se, sobretudo, neste aparato de paisagens tropicais, pudesse ser disfarçada a indigência mental dos cineastas que fazem este tipo de filmes. O que fez do Cinema Novo um fenômeno de importância internacional foi justamente seu alto nível de compromisso com a verdade; foi seu próprio miserabilismo, que antes escrito pela literatura de 30, foi fotografado pelo cinema de 60; e, antes era escrito como denúncia social, hoje passou a ser discutido como problema político. Os próprios elogios do miserabilismo do nosso cinema são internamente evolutivos. Assim, como observa Gustavo Dahl, vai desde o fenomelogico (Porto das Caixas), ao social (Vidas Secas), ao político (Deus e o Diabo), ao poético (Ganga Zumba), ao demagógico (Cinco Vezes Favela , ao experimental (Sol sobre a Lama), ao documental (Garrincha, a alegria do povo), a comédia (Os Mendigos), experiências em vários sentidos, frustadas umas, realizadas outras, mas todas compondo, no final de três anos, um quadro histórico que, não por acaso, vai caracterizar o período Jânio-Jango: o período das grandes crises de consciência e de rebeldia, de agitação e revolução, que culminou no golpe de abril. E foi a partir de abril que a tese do cinema digestivo ganhou peso no Brasil, ameaçando sistematicamente, o Cinema Novo.)

Nós compreendemos esta fome que o europeu e o brasileiro na maioria não entendeu. Para o europeu, é um estranho surrealismo tropical. Para o brasileiro, é uma vergonha nacional. Ele não come, mas tem vergonha de dizer isto; e sobretudo, não sabe de onde vem esta fome. Sabemos nós - que fizemos estes filmes feios e tristes, estes filmes gritados e desesperados onde nem sempre a razão falou mais alto, - que a fome não era curada pelos planejamentos de gabinete e que os remendos do tecnicolor não escondem, mais agravam os seus tumores. Assim, somente uma cultura da fome, minando suas próprias estruturas, pode superar-se qualitativamente e mais nobre manifestação cultural da fome é a violência.

(A mendicância, tradição que se implantou com a redentora piedade colonialista, tem sido uma das causadoras de manifestação política e da ufanistas mentira cultural; os relatórios oficiais da fome pedem dinheiro aos países colonialistas com o fito de construir escolas sem criar professores, de construir casas sem dar trabalho, de ensinar o ofício sem ensinar o alfabeto. A diplomacia pede, os economistas pedem, a política pede: o Cinema Novo no campo internacional nada pediu: impôs-se pela violência das suas imagens em vinte e dois festivais internacionais.)

Pelo Cinema Novo: o comportamento exato de um faminto é a violência e a violência de um faminto não é primitivismo. Fabiano é primitivo? Corisco é primitivo? A mulher de Porto das Caixas é primitiva?

Do Cinema Novo: uma estética da violência antes de ser primitiva é revolucionária, eis o ponto inicial para que o colonizador compreenda a existência do colonizado: somente conscientizada sua possibilidade única, a violência, o colonizador pode compreender, pelo o horror, a força da cultura que ele explora. Enquanto não ergue as armas, o colonizado é um escravo: foi preciso um primeiro policial morto para que o francês percebesse um argelino.

De uma moral: essa violência, contudo, não está incorporada ao ódio, como também não diríamos que está ligada ao velho humanismo colonizador. O amor que esta violência encerra é tão brutal quanto a própria violência, porque não é um amor de complacência ou de contemplação, mas um amor de ação e transformação.

(O Cinema Novo, por isto, não fez melodramas: as mulheres do Cinema Novo sempre foram seres em busca de uma saída possível para o amor, dada a impossibilidade de amar com fome: a mulher protótipo, a de Porto das Caixas mata o marido; a Dandara de Ganga Zumba foge da guerra para um amor romântico; Sinhá Vitória sonha com novos tempos para os filhos; Rosa vai ao crime para salvar Manuel e amá-lo em outras circunstâncias; a moça do padre precisa romper a batina para ganhar um novo homem; a mulher de O Desafio rompe com o amante porque prefere ficar fiel ao seu mundo burguês; a mulher em São Paulo S.A. quer a segurança do amor pequeno-burguês, e para isto tentará reduzir a vida do marido a um sistema medíocre.)

Explicação: já passou o tempo em que o Cinema Novo precisava processar-se para que se explique, à medida que nossa realidade seja mais discernível à luz de pensamentos que não estejam debilitados ou delirantes pela fome. O Cinema Novo não pode desenvolver-se efetivamente enquanto permanecer marginal ao processo econômico e cultural do continente Latino-Americano; além do mais, porque o Cinema Novo é um fenômeno dos povos novos e não uma entidade privilegiada do Brasil: onde houver um cineasta disposto a filmar a verdade, e a enfrentar os padrões hipócritas e policialescos da censura intelectual, aí haverá um germe vivo do Cinema Novo. Onde houver um cineasta disposto a enfrentar o comercialismo, a exploração, a pornografia, o tecnicismo, aí haverá um germe do Cinema Novo. Onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a pôr seu cinema e as sua profissão a serviço das causas importantes do seu tempo, aí o haverá um germe do Cinema Novo. A definição é esta e por esta definição o Cinema Novo se marginaliza da indústria porque o compromisso do Cinema Industrial é com a mentira e com a exploração. A integração econômica e industrial do Cinema Novo depende da liberdade da América Latina. Para esta liberdade, o Cinema Novo empenha-se, em nome de si próprio, de seus mais próximos e dispersos integrantes, dos mais burros aos mais talentosos, dos mais fracos aos mais fortes. É uma questão moral que se refletirá nos filmes, no tempo de filmar um homem ou uma casa, no detalhe que observar, na moral que pregar: não é um filme mas um conjunto de filmes em evolução que dará, por fim, ao público a consciência de sua própria miséria.

Não temos por isto maiores pontos de contato com o cinema mundial, a não ser com suas origens técnicas e artísticas.

O Cinema Novo é um projeto que se realiza na política da fome, e sofre por isto mesmo, todas as fraquezas conseqüentes de sua existência."

Nova Iorque, Milão, Rio

Janeiro - 1965

Fonte: Cabeza Marginal (www.cabezamarginal.org).

Matéria retirada de http://www.rizoma.net

O cinema de Beto Normal e Marcelo Gomes

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Clandestina Felicidade


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O cinema de Bárbara Morais

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Lugar__X__


Filme inspirado na obra de
Caio Fernando Abreu, com Bárbara Morais
e Paula Cristina, direção:Jiddu Saldanha

Insistências




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Jean de Vigo

Zero de Conduite


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A Propos de Nice


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